19 de maio de 2010

Problemas previdenciários

(clique para ampliar)

A pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, descartou nesta segunda-feira uma reforma na Previdência Social defendendo a realização de ajustes sistemáticos após discussão com a sociedade.

"Defendo que a gente ajuste a Previdência. Se aumentou a expectativa de vida da população, tem que ajustar para que a Previdência dê conta, não vai cair do céu... Tem que arrumar mais dinheiro, vai ter de mudar as regras e negociar a mudança de regras com a sociedade", disse Dilma em entrevista à rádio CBN.

Parece que a candidata quer agradar quem pede reformas sem assustar os aposentados. Achamos que o tema merece ser levado em conta e discutido mais seriamente, o que deixaria clara a necessidade de uma reforma geral.

O gráfico acima mostra, para alguns países, a expectativa de vida dos homens quando chegam à idade de se aposentar. É impressionante a mudança ocorrida em 40 anos.

O problema é que nessa fase (entre a aposentadoria e a morte) os idosos esperam um Estado mais generoso, sustentando-os quase que por completo. Surgem, então, os problemas fiscais: quem paga a conta?
No Brasil, os trabalhadores do sexo masculino podem pedir aposentadoria por idade aos 65 anos. Quando chegam nessa faixa de idade, a expectativa média é de que vivam mais 16 anos. É menos que a maioria dos países listados acima, mas o problema é o mesmo: as contas do governo.

A questão da “austeridade fiscal” é muito importante, principalmente na atual conjuntura de significante aquecimento da economia. A irresponsabilidade fiscal leva a problemas crônicos, como aumento da inflação e diminuição da poupança pública (que tem como conseqüência menores investimentos e, portanto, menor crescimento).

Tendo isto em vista, vemos que a Previdência Social brasileira registrou déficit de R$ 43,6 bilhões em 2009, um aumento de 12,65% em relação a 2008, ano em que o déficit foi de R$ 38,7 bilhões. Isso significa que o montante de impostos pago para o sustento dos idosos é menor do que a massa de benefícios concedida. A situação é crítica, e só tende a piorar.

A despeito disso, está em votação no Congresso um reajuste da aposentadoria de 7,7%, acima do que tinha sido acordado entre o governo e as centrais sindicais. A oposição aprovou, mostrando a imaturidade da política brasileira, e deixou para o Lula decidir (já que o Senado dificilmente vetará a lei).

Será que o presidente veta? Prezar pela austeridade fiscal ou se manter como o pai (irresponsável) dos aposentados? Eleições vêm aí!

Será só mais um agravante do já crítico sistema previdenciário brasileiro. Não dá para passarmos mais 4 anos dependendo de “ajustes sistemáticos” prometidos em campanha.

Atualização:

O Senado aprovou o fim do fator previdenciário e o reajuste de 7,7% para aposentadorias maiores que um salário mínimo. Agora está nas mão do presidente...

5 comentários:

  1. Apenas um comentário:

    Por que ao invês de vc falar do déficit da previdência social. Vc não fala do superavit da orçamento da seguridade social? (Lembrando que o orçamento da seguridade social foi definido na constituição de 1988)

    E a Desviculação de Receitas Tributária realizada no período do FHC?

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  2. Perdão, Desvinculação da Receitas da União (DRU).

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  3. Celso Eugênio, você acredita que está tudo ok com as contas da Previdência?

    Um mudança de foco para esconder o problema não me parece a melhor forma de debate...

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  4. O motivo para falarmos do déficit da previdência é bem simples:

    É um sério agravante de uma complicada situação fiscal que vale a pena ser discutido.

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  5. Voltando a discussão.
    Vou deixar um artigo aqui que reflete minha opinião:

    ''"É uma falácia, né? A história é mais ou menos assim: a previdência incorporou, a partir de 1988, milhões de trabalhadores, especialmente rurais, que passaram a ter direitos dentro dela. Essas pessoas que passaram a ter os benefícios, por razões óbvias, nunca tinham contribuído para a previdência. Mas, quando se criou essa despesa, a Constituição também criou uma receita correspondente para cobri-la. Se juntarmos a receita previdenciária, vinda de trabalhadores e empresas, mais os tributos criados (como CSLL, COFINS e tantos outros), a previdência é altamente lucrativa. A imprensa e o próprio governo divulgam uma conta que não existe legalmente e nem contabilmente. O que se tem efetivamente é um grande superávit, computando suas receitas strictu sensu mais as contribuições que a Constituição criou justamente para cobrir a massa de de trabalhadores incorporada", vaticina Washington Lima.''

    fonte: http://www.socialismo.org.br/portal/questoes-sociais/112-entrevista/1531-deficit-previdenciario-e-falso-argumento-contra-beneficios-aos-aposentados

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